Empresas e o grande desafio da reforma tributária em 2026
O ano de 2026 marca uma virada histórica no sistema tributário brasileiro. Com a entrada em vigor da fase de transição da reforma tributária, empresas de todos os portes enfrentam o desafio de se adaptar às novas regras do IVA Dual, que substituirá gradualmente cinco tributos atuais. Esta reportagem ampliada analisa os impactos, os desafios e as perspectivas até 2033.
Contexto histórico da reforma
A reforma tributária é debatida há décadas no Brasil. O sistema atual, considerado um dos mais complexos do mundo, envolve múltiplos tributos federais, estaduais e municipais, gerando insegurança jurídica e altos custos de conformidade. Em 2023, o Congresso aprovou a criação do IVA Dual, composto pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
A transição foi planejada para ocorrer entre 2026 e 2033, permitindo que empresas e governos se adaptem gradualmente. O objetivo é simplificar a cobrança, reduzir a burocracia e aumentar a competitividade do país.
O que muda em 2026
A Receita Federal classificou 2026 como um “ano de testes”. Apesar disso, não se trata de uma simulação: haverá movimentação financeira real, emissão de notas fiscais com novos campos obrigatórios e ajustes em sistemas internos. Empresas precisarão conviver com a coexistência de tributos antigos e novos, exigindo planejamento tributário detalhado.
“Estamos diante de uma mudança estrutural. Não é apenas atualizar sistemas, mas repensar toda a lógica de apuração de tributos”, afirmou um consultor tributário.
Desafios para as empresas
A adaptação envolve custos adicionais e exige acompanhamento constante das regulamentações. Grandes corporações precisam integrar sistemas complexos entre filiais e fornecedores. Já pequenas e médias empresas enfrentam dificuldades para absorver os custos de atualização tecnológica e treinamento sem comprometer suas operações.
Além disso, há o desafio cultural: gestores e equipes precisam compreender a nova lógica tributária, que altera práticas consolidadas há décadas.
Impacto setorial
Cada setor da economia será afetado de forma distinta:
- Indústria: terá de rever cadeias de produção e logística para adequar créditos tributários.
- Serviços: enfrentam maior impacto imediato, já que a carga tributária tende a aumentar.
- Agropecuária: precisará adaptar notas fiscais eletrônicas e operações de exportação.
- Comércio: terá de ajustar sistemas de ponto de venda e relacionamento com fornecedores.
Impacto no ambiente de negócios
A reforma busca simplificar a cobrança de impostos e reduzir a complexidade do sistema atual. Especialistas acreditam que, a longo prazo, haverá maior segurança jurídica e competitividade. No curto prazo, porém, o cenário é de incerteza e necessidade de adaptação rápida.
“O IVA Dual deve trazer transparência e previsibilidade, mas o período de transição será desafiador”, disse um economista.
Perspectivas até 2033
A transição vai até 2033, quando o IVA Dual estará plenamente em vigor. Até lá, empresas terão de conviver com a coexistência de tributos antigos e novos, exigindo planejamento tributário detalhado. O Comitê Gestor do IBS e da CBS será responsável por coordenar a implementação e garantir uniformidade entre estados e municípios.
Especialistas projetam que, ao final da transição, o Brasil terá um sistema tributário mais simples, transparente e competitivo, capaz de atrair investimentos estrangeiros e estimular o crescimento econômico.
Exemplos práticos de adaptação
Empresas de tecnologia já estão desenvolvendo softwares específicos para o IVA Dual. Grandes redes varejistas iniciaram treinamentos internos para milhares de funcionários. No setor de serviços, escritórios de contabilidade criaram departamentos exclusivos para orientar clientes durante a transição.
“Estamos investindo em tecnologia e capacitação para garantir que nossos clientes não sejam penalizados por erros de adaptação”, afirmou um contador.
O papel do governo
O governo federal promete oferecer suporte técnico e campanhas de esclarecimento. Estados e municípios também terão de se adaptar, já que o IBS será compartilhado entre eles. A coordenação entre diferentes entes federativos será crucial para evitar conflitos e garantir a uniformidade do sistema.
Críticas e preocupações
Apesar dos benefícios esperados, há críticas sobre o aumento da carga tributária em setores específicos, como serviços. Pequenos empresários temem que a complexidade inicial da transição gere insegurança e penalidades. Há também preocupação com a capacidade do governo de coordenar a implementação de forma eficiente.
Conclusão
O ano de 2026 marca o início de uma das maiores transformações do sistema tributário brasileiro. Empresas enfrentam desafios significativos, mas também oportunidades de modernização e simplificação. A transição até 2033 será longa e complexa, exigindo planejamento, investimento e diálogo constante entre governo, empresários e sociedade.
