Abertura ou Entrega? Brasil reduz tarifas para 1/3 do comércio e divide opiniões
Enquanto o governo celebra a marca de 33% do comércio com tarifas reduzidas, setores industriais temem que o país esteja “importando desemprego” e virando um eterno fazendão.
O anúncio de que um terço das trocas comerciais brasileiras agora ocorre sob o manto de tarifas reduzidas foi recebido com fogos de artifício pela ala liberal do governo e pelo agronegócio. No entanto, o que é vendido como “modernização” está sendo lido por especialistas em desenvolvimento como um ataque frontal à indústria nacional.
O Triunfo do Agro e a Agonia da Indústria
Os novos acordos facilitam a saída de commodities, o que impulsiona o PIB no curto prazo. Mas o preço disso é alto. Ao reduzir barreiras de importação, o Brasil expõe suas fábricas — que sofrem com energia cara e burocracia — a uma competição desleal com gigantes asiáticos. O resultado é o fenômeno da desindustrialização precoce: o país exporta soja e ferro para importar tecnologia e valor agregado.
Soberania em Xeque?
Outro ponto de discórdia reside na dependência externa. Com um terço das transações facilitadas, o Brasil se torna mais vulnerável às oscilações de preços internacionais e às decisões políticas de blocos como a União Europeia e a China. A promessa de produtos mais baratos para o consumidor final muitas vezes não se concretiza, ficando a margem de lucro retida nos grandes importadores, enquanto o emprego qualificado foge do país.
O “Custo Brasil” Ignorado
A polêmica ganha força porque o governo foca na redução de impostos de importação, mas falha em reduzir o Custo Brasil. Sem infraestrutura de transporte eficiente e com juros nas alturas, o empresário brasileiro é obrigado a competir de mãos atadas. Para os críticos, a marca de 33% não é um troféu de eficiência, mas um sintoma de um país que desistiu de produzir e se contentou em apenas consumir o que vem de fora.
